MELANCOLIA E VIDA
Ricardo Montedo
Vez por outra, sinto-me invadido por estranha melancolia, misto de felicidade e tristeza, uma sensação de ter vivido muito e deixado de viver outro tanto; de ter amado intensamente, porém não o suficiente; de ter falado muito, sem dizer a palavra certa; de que as lágrimas vertidas não o foram com a emoção necessária; de que talvez as amizades pudessem ter sido mais bem cultivadas e os abraços, mais fortes; os olhares, mais francos e diretos; sei lá, uma sensação de incompletude, de coisas por fazer, atitudes a tomar, resoluções a executar, contas em aberto.
Então, socorro-me das boas lembranças, reviro o baú da memória, e de lá retiro rostos, paisagens, emoções, amores, momentos mágicos, amizades antigas e concluo:
- Ora bolas! Valeu a pena.
Só valeu, como diria alguém, só valeu. Afinal, desculpem-me a obviedade, o bom da vida é viver, cara-pálida!
Então, decido seguir vivendo, progredindo aqui, tropeçando acolá, sorrindo muito, chorando vez por outra, tentando tornar-me uma pessoa melhor a cada dia, desbastando esta pedra bruta chamada Eu.
Acompanham-me meus amores e amigos, meus irmãos e mestres, todos, como eu, eternos aprendizes e companheiros de jornada, na incessante busca da verdade absoluta, que, embora incompreendida e inalcançável, pode ser expressa por uma simples palavra: VIDA!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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